CARREIRAS - MEDICINA

Veja quais são as áreas mais promissoras da medicina

No século 16, quando chegaram ao Brasil recém-descoberto, os primeiros práticos em medicina se concentraram nos centros mais urbanizados. Afinal, nas vilas da nova terra é que estava a maior parte dos pacientes e dos recursos disponíveis na época. Passados cinco séculos, a situação continua parecida, mas a distribuição começa a mudar, o que se explica por uma série de fatores.

As grandes cidades oferecem aos médicos melhores condições de trabalho, acesso a tecnologia de ponta e um número maior de atrativos culturais, além de outros benefícios consideráveis. Além disso, a maioria absoluta das faculdades concentra-se nos grandes centros, principalmente na Região Sudeste. Das 124 escolas de medicina existentes no Brasil, quase metade (60) está nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Conseqüentemente, as cidades que possuem acabam atraindo um número maior de estudantes, muitos dos quais, depois de formados, continuam morando no próprio lugar, mesmo sabendo que terão de disputar um mercado de trabalho já saturado.

Em geral, as entidades médicas brasileiras consideram exagerada a quantidade de faculdades e são contrárias à abertura de novas escolas de medicina. Entre os motivos estão a desproporção entre médicos e habitantes em algumas regiões do país (por exemplo, um médico para 264 habitantes na cidade de São Paulo em 2004) e a baixa qualidade do ensino oferecido por determinadas escolas.

Em março de 2004, entidades médicas importantes, entre as quais o Conselho Federal de Medicina, a Associação Médica Brasileira, o Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo e a Confederação Médica Brasileira, encaminharam aos ministérios da Educação e da Saúde e aos conselhos nacionais da Educação e da Saúde um documento em que ressaltam que a abertura de novas escolas médica, especialmente no estado de São Paulo, não é recomendável. "Mesmo com pareceres contrários do Conselho Nacional de Saúde, sem critérios claros de avaliação de qualidade e sem a preocupação com o agravamento da oferta de vagas, foram abertos 37 cursos de medicina de 1996 a 2003, sendo sete no estado de São Paulo. Somente em 2002 o Ministério da Educação aprovou oito cursos de medicina.

O Brasil já conta com 121 cursos, sendo 25 em São Paulo. O estado tem cerca de 85 mil médicos em atividade, um para cada 457 habitantes, bem acima da média nacional, que também é alta: um médico para cada 601 habitantes", afirma o documento. As entidades lembraram que a média preconizada como ideal pela Organização Mundial de Saúde é de um médico para cada mil habitantes, e acrescentaram: "Reiteramos que a abertura de escolas médicas sem condições de formar bons profissionais é um negócio lucrativo nas mãos de empresários, representa sérios riscos à saúde da população e em nada contribui para o fortalecimento das políticas públicas e a implementação do Sistema Único de Saúde".

A criação sem muitos critérios de cursos de medicina no país, a partir da década de 1970, de fato provocou discrepâncias sensíveis, na medida em que cerca de 8 mil novos profissionais chegam anualmente ao mercado de trabalho. No Rio de Janeiro, por exemplo, os cerca de 2 mil novos médicos que se formam anualmente totalizam um contingente de aproximadamente 50 mil profissionais para cuidar de uma população de 13 milhões de habitantes, segundo dados do Conselho Regional de Medicina fluminense.

Ou seja, há um médico para cada 260 pessoas, uma proporção bem diferente da que se via no início do século 19, quando cada um dos 90 profissionais existentes na capital do estado era responsável pela saúde de grupos de mais de 1.500 habitantes. Em contrapartida, no Acre, atualmente um único médico é responsável pela saúde de 1.220 pessoas. Essas disparidades só confirmam o que já se sabe há pelo menos uma década: grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro continuam sendo referência educacional e de pesquisa médica no país, porém estão saturados. Já não comportam um número tão grande de profissionais e só oferecem espaço para quem estiver disposto a trabalhar no interior ou na periferia das grandes cidades.

Rumo ao interior

"Para os médicos que, além de satisfação pessoal, buscam retorno financeiro na profissão, é preciso fazer o caminho inverso e sair dos grandes centros rumo ao interior do país e dos estados", aconselha o dr. Mauro Brandão, membro do Conselho Regional de Medicina. Aparentemente, alguns profissionais recém-formados vêm tomando consciência dessa necessidade e, aos poucos, o mapa do emprego na área começa a apresentar alterações.

De acordo com pesquisa feita pelo Conselho Federal de Medicina em 2002, o número de médicos que têm deixado as grandes cidades em direção ao interior vem aumentando nos últimos oito anos. Em 1996, apenas 34% dos profissionais residiam no interior, e hoje esse percentual já está em 37,9%. No comparativo por regiões, a presença de médicos no interior em relação à capital, a partir de 1996, elevou-se de 36,9% para 45,8% no Sudeste, de 13% para 20,4% na Região Norte e de 14,8% para 20,2% no Nordeste.

Já nas regiões Centro-Oeste e Sul a migração ocorreu em sentido inverso: de 23,9% para 23,5% e de 52,1% para 49,5%, respectivamente. Segundo o Conselho Federal de Medicina, diferentes motivos têm levado os profissionais a buscar cidades menores para fincar raízes e construir a carreira. Nas regiões Norte e Nordeste, muitos médicos foram atrás de melhores condições de trabalho no setor público e de salários mais satisfatórios.

O Programa Saúde da Família, do governo federal, que estimula o tratamento do doente no ambiente físico e social da própria família, no lugar da internação hospitalar, oferece vagas em municípios mais distantes das grandes capitais. Na Região Sudeste, outra razão específica influencia a decisão dos profissionais de migrar para o interior: o medo da violência nos grandes centros. É uma espécie de opção de vida que alguns médicos fazem para fugir da insegurança de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro e montar consultório em endereços mais tranqüilos.

Independentemente dos motivos citados, hoje as melhores oportunidades de emprego encontram-se no interior do Brasil, especialmente em alguns pólos de desenvolvimento industrial e agrícola. As cidades mais promissoras estão no interior do Amazonas, de Mato Grosso, de São Paulo e do Pará, onde as oportunidades de negócio atraem um grande número de prestadores de serviço, comerciantes, advogados, engenheiros, arquitetos e técnicos, entre outros profissionais.

É nesse novo cenário de progresso, longe dos grandes centros do Sul e do Sudeste, que melhor se encaixam os profissionais de medicina recém-formados. Além do atendimento na rede pública, é possível exercer a medicina no consultório. Com o objetivo de apoiar os que escolhem as cidades menores para viver, a Caixa Econômica Federal mantém uma linha de crédito exclusiva e com juros mais baixos para profissionais liberais se instalarem em localidades do interior. No caso do médico, o financiamento destina- se principalmente à montagem do consultório.

Velhos mitos, nem sempre verdadeiros

Costuma-se afirmar que as capitais e cidades maiores proporcionam ganhos mais elevados. No entanto, as diferenças de remuneração nem sempre existem ou, pelo menos, não são tão superiores quanto se acredita. Historicamente, há casos em que as localidades menores chegam a oferecer vantagens.

De acordo com dados do arquivo do Instituto Histórico e Geográfico Nacional, por volta de 1886 um médico que trabalhava na Inspetoria Geral de Higiene no Rio de Janeiro recebia anualmente cerca de 3.600 réis, enquanto um profissional que atendia pacientes endinheirados que viviam no interior podia ganhar, de um único cliente, cinco vezes mais que isso. Hoje, segundo pesquisa do Conselho Federal de Medicina, as diferenças de remuneração são pequenas, mas o interior ganha das capitais. Confira a média salarial mensal dos médicos brasileiros, segundo sondagem feita em 2004 pelo CFM:

Região Interior Capital
Norte R$ 8.000 R$ 8.000
Nordeste R$ 6.000 R$ 6.800
Centro-Oeste R$ 6.900 R$ 7.500
Sudeste R$ 7.300 R$ 7.300
Sul R$ 6.800 R$ 7.900
Brasil R$ 6.900 R$ 7.400

Vestibular

O número de candidatos para cada vaga em geral é de 80 a 100 nos principais vestibulares de universidades públicas, como UNICAMP, UNESP, UNIFESP, UFTM e UFSCar. Na Fuvest são menos candidatos por vaga porque o vestibular oferece vagas (além da USP São Paulo e USP Ribeirão Preto) também para a Santa Casa, que é particular (apesar de sua elevada qualidade, a elevada mensalidade acaba por diminuir a procura), entretanto, a dificuldade de entrar na USP é a mesma: são necessários cerca de 70 acertos de 90 testes no mínimo somente para passar para a segunda fase do vestibular!

Em particulares a relação candidatos/vaga cai bastante, porém, apesar de ser um curso bastante caro, Medicina ainda é uma das carreiras mais concorridas. Podemos dizer que Medicina é uma carreira "especial", pois requer uma dedicação muito especial para passar no vestibular e também depois para se formar.

CURIOSIDADES

No Brasil existem aproximadamente 250.000 médicos, segundo a Associação Médica Brasileira. Isto significa que existe um médico para cada 700 brasileiros. O índice mínimo recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) é de um médico para cada mil habitantes.

  • A pesquisa “Perfil dos Médicos no Brasil”, concluída em 1998 pela Fundação Oswaldo Cruz e pelo Conselho Federal de Medicina, diz que 67,3% dos médicos são homens;
  • As maiores especialidades são: pediatria (15,3%) e ginecologia / obstetrícia (11,8%);
  • Do total de médicos, 65,9% exercem sua profissão nas capitais, onde vivem 24% da população brasileira;
  • Do total de médicos brasileiros, 63,8% têm menos de 45 anos.

Respiração orelha-a-orelha

Os gregos acreditavam que os seres vivos respiravam pelas orelhas. O filósofo Alcmaeon (580 a.C.) escreveu que "o sopro da vida entra pela orelha direita, e o sopro da morte, pela orelha esquerda". Aristóteles (384-322 a.C.) foi um dos primeiros estudiosos a afirmar que os animais não respiravam através das orelhas. Em seu livro "A História dos Animais", o filósofo escreveu também que as pessoas com orelhas grandes e salientes tinham uma tendência para as conversas sem importância e fofocas.

Desentupindo o nariz

Inúmeras substâncias já foram descritas para o tratamento da congestão nasal: fezes de cachorros brancos, folhas de repolho secas e extratos vegetais. Os médicos chineses foram os primeiros a empregar ervas medicinais que continham a efedrina, há cerca de 5.000 anos, embora essa substância só viesse a ser conhecida e isolada em 1887.

Curando a otite

Na medicina hebraica as otites eram tratadas com a instilação do caldo de cozimento de rim de cabra no meato acústico externo, de acordo com relatos do Taimud babilônico (325-427). Já a surdez era tratada com a instilação de urina do próprio paciente na orelhas durante a Idade Média.

Cabeça de vento

No princípio do século XX acreditava-se que havia uma conexão entre o nariz e o cérebro, sendo as doenças nasais responsáveis por distúrbios de atenção e memória.

Nariz grande...

Na Antigüidade acreditava-se que o tamanho do nariz era proporcional ao dos órgãos genitais e narizes grandes eram sinônimo de virilidade. Por isso, os guerreiros corajosos eram denominados "nasuti". Virgílio, na "Eneida", descreve o costume de amputação da pirâmide nasal em homens e mulheres como punição ao crime de adultério.

Fonte: Guia dos Curiosos e Publifolha